O amargo sabor de ser o melhor

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Luka Modrić, 32 anos. Camisa 10 da seleção croata. Eleito o melhor jogador da Copa da Rússia 2018. Talvez olhando a foto, se não fosse o troféu nas mãos, nem daria pra saber o título que havia recebido. Ou sequer, se havia sido premiado.
E a história se repete. Tendo levado para casa o mesmo prêmio na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, Lionel Messi exibia o mesmo semblante, após amargar a segunda colocação no Mundial.

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Messi, eleito o melhor da Copa do Mundo, em 2014, após segunda colocação com a seleção argentina. Foto: Google/Reprodução

Isto nos leva a um questionamento: quanto vale o êxito profissional pessoal para um jogador de futebol no auge de sua carreira?

Ambos craques em seus clubes, – os maiores e mais populares do mundo, diga-se de passagem – ambos maestros, criadores de jogadas espetaculares, de visões incríveis de jogo. Sucesso extraordinário, titulares incontestáveis, legiões de fãs. UEFA Champions League, um dos títulos mais cobiçados do mundo do futebol eles já fazem coleção. Mas e a tão sonhada Copa do Mundo?

Há quem diga que não fez diferença em sua carreira. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, campeão mundial pelo Flamengo, e 3º maior artilheiro da história da seleção brasileira, não possui o tão sonhado título de campeão de uma Copa do Mundo, porém, é capaz de afirmar que “não trocaria nem uma Taça Guanabara pelo Flamengo, por um mundial pela seleção”.

Todo jogador almeja conquistar um alto patamar pessoal. Todos sonham em jogar em grandes clubes europeus, e serem reconhecidos mundialmente. Mas e quando este não consegue ter o mesmo êxito em seu país? Ser ídolo em um clube de um país que não é o seu, agradecer em um idioma que não é o seu, com companheiros de todas as partes do mundo. Magnífico! Mas como seria ser ídolo de um time formado apenas com conterrâneos? Companheiros de profissão e de uma vida de histórias parecidas, com muita luta, coragem e lágrimas de saudade. Eles saíram de seu país de origem, deixaram suas famílias, seus amigos, suas casas, suas histórias, para construir outras. Eles partiram para um país onde nada conheciam, se adequaram a uma nova cultura, a novos hábitos e venceram tudo isso e se consagraram como grandes nomes do futebol mundial. Mas e a alegria de ver o seu povo comemorando uma vitória sua que é exclusivamente para eles?

Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Hazard… Modrić. Entre tantos outros nomes da atualidade. Por que não Salah? E o polêmico Ibrahimović? Há quem encha a boca para falar “ele nasceu no país errado”.

É nessas horas que vemos que o futebol não é apenas um jogo. Nem jogo dentro de campo, nem jogo político, tampouco jogo de “quem dá mais?”, “quem vale mais?”.
Futebol é coração, futebol é devoção, futebol é religião.

Quem não entende que é muito mais que um esporte olha essa foto e pensa “que cara ingrato, quantos não queriam estar no lugar dele?”.

Mas para e pensa: Mbappé trocaria seu título pela seleção pelo título de melhor da Copa? Pode parecer uma comparação meio boba, mas se compararmos as idades dos jogadores podemos entender.

Quantas Copas o jovem fenômeno francês ainda jogará? E o camisa 10 croata?

Vale a reflexão.

Em 2022 tem mais.

 

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