Ele é o momento. Vinicius José Paixão de Oliveira Junior, mais conhecido como Vini Jr, natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Aos 23 anos, ele dribla, baila, encanta e avança. Corre, ginga, desbrava, e segue firme. Ele se mantém de pé, mesmo quando muitos esperam que ele caia. E aqui, não falamos sobre os 90’ em campo.
Vinicius, o menino que desde sempre precisou aprender a fazer mais, a ser mais para se destacar e provar do que era capaz. De onde ele vem, jovens pretos e periféricos não tem vez. Mas ele garantiu a sua.
Apesar de uma longa trajetória de bons números, e protagonismo, atuando no Flamengo desde os 10 anos de idade, e com o status de craque ainda nas categorias sub 13, Vinicius foi ironizado, contestado, vaiado, e por vezes, humilhado.
Um jovem prodígio, que teve seu talento pautado em grandes veículos de comunicação inúmeras vezes. Recebeu apelidos maldosos, sofreu injúria, preconceito, ódio e intolerância, simplesmente por ser quem é. Mas ele não parou.
E assim como a vida o ensinou que deveria, sem hesitar, ele foi lá e fez tudo aquilo que muitos duvidavam que ele seria de fato capaz. Aos 16 anos, foi vendido pelo Flamengo ao Real Madrid, o maior clube desportivo do planeta, por 45 milhões de euros, o valor que representou, à época, a 2ª maior venda da história do futebol brasileiro, atrás apenas da venda de Neymar Jr.
Em 2018, mesmo acompanhado de opiniões negativas, dúvidas e especulações que em nada o encorajavam, com apenas 18 anos, ele fez as embaixadinhas que 9 em cada 10 jogadores de futebol pelo mundo gostariam de ter a oportunidade de fazer, no Santiago Bernabéu, sob os olhares de todos os amantes do esporte, espalhados pelo planeta.
Mas, nem só de desafios em campo a trajetória de Vini foi escrita pela Espanha. E foi a partir daí, que para além da jovem promessa de São Gonçalo, conhecemos o cidadão Vinicius. Um homem preto, consciente, e incapaz de permitir que lhe tirem o seu lugar de merecimento: o topo. Ele fala, ele habla, ele grita.
Sua idade não é capaz de definir o homem que foi obrigado a se tornar de forma abrupta, como mecanismo de defesa e necessidade de sobrevivência, em uma terra majoritariamente branca, agressiva e intolerante, onde vivem os que são acostumados a mandar, desmandar e criar regras. De gestos e cantos racistas a boneco enforcado, ele não se intimidou, não se calou, não se retirou.
Ao contrário do que esperavam dele, como um menino, Vini se posicionou como um homem, usando sua importante voz e influência, e se transformando em uma figura imponente na luta antirracista, sendo um símbolo de resistência, bravura e coragem. Aquele lugar é dele, e ninguém tira. Queriam a todo custo expulsá-lo de lá, pois não suportaram ver onde aquele menino periférico de pele negra e traços marcantes era capaz de chegar.
Acharam que ele temeria, desistiria e permitiria que o preconceito vencesse, como segue vencendo diariamente em todos os cantos do mundo, mas dessa vez não. Com ele não. Ele é referência. Ele vestiu sua armadura, blindou-se de coragem, resiliência e autoconhecimento, para fazer com que entendessem que dali ele não sairia, e que a guerra estava armada.
Ele incomoda porque dribla. Dança. Sorri. Ele incomoda porque vence. E seguirá incomodando a todos que se acharem donos de algo que, na verdade, é exclusivamente de cada um: A liberdade de ser.
Ele incomoda porque dentro de campo chama a responsabilidade e resolve. Ele marca, ele define placar. Ele coloca a bola no fundo da rede em finais de Champions League. Ele lidera o maior time do mundo e empilha troféus.
Ele incomoda porque está na boca do povo. Ele é adorado e ovacionado pelo mundo, enquanto os preconceituosos insistem em tratá-lo como irrelevante. Ele incomoda porque, sem titubear, sabe do que é capaz e aonde quer chegar.
Ele incomoda porque não é mais um jovem preto que se sente encurralado e esmagado pelo sistema, nem abaixa a cabeça pra tentar chegar mais longe. Ele incomoda, porque seu lado humano e cidadão é mais forte do que seu lado atleta. Ele incomoda porque coloca racista onde precisa estar: atrás das grades.
Ele incomoda porque querem que ele se cale, mas ele grita ainda mais alto. E será sob gritos pelo mundo afora, que ele chegará lá, com a bola de ouro nas mãos, afirmando que tem preto no topo, e que terão que engolir.

o coro chega ao seu destino !
belo texto !
há todo momento estaremos fadados a enfrentar as adversidades da vida , não há como fugir disso !
mais estaremos preparados !
vamos acompanhar !
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