O alto preço da masculinidade no futebol

Quem pode parar um homem milionário, famoso mundialmente, repleto de fãs e admiradores, e sentado no trono de grandes nomes do futebol? Ou o que?

E qual é o preço da vida de uma mulher cujo caminho se cruza com este homem?

Em um dos assuntos mais polêmicos envolvendo o mundo do futebol, perdeu a mulher. Mas quando ela finalmente vence?

Muitos questionamentos e respostas vazias. Revoltantes. Aqui, sobretudo quando falamos do caso Daniel Alves, em específico, não citamos o jogador, mas o cidadão. Aquele que é colocado em posição de superioridade aos demais, quando paga por sua liberdade, após cometer um crime hediondo.

E em todos os casos, não colocamos em pauta o que o atleta, enquanto dentro de campo representa, mas sim, fora dele. Mas qual a relação do futebol com a liberdade de um criminoso exposto mundialmente? O poder e sensação de invencibilidade que lhe é acometido. É impossível não confundir os personagens.

Quantos jovens brasileiros negros, assim como Daniel Alves, nordestinos, porém, pobres e periféricos, existem atrás das grades por crimes que sequer cometeram? Quantas mães choram a ausência ou a fatídica partida de suas crias, por motivos que sequer foram provados judicialmente?

Mas, quando trata-se de um Daniel, um Robinho, um Cuca, ou um Rogerio Caboclo, por que tudo isso se torna pequeno, diante de uma fortuna milionária? O dinheiro compra a liberdade, a idolatria e a inocência do homem, fazendo-o comunicar ao mundo numa expressão irônica quem é que manda. E paga a vida de uma mulher despedaçada, com seu corpo corrompido e a alma dilacerada. A sentença foi dada. Para ele, 14 meses. Para ela, a eternidade.

Até quando seremos permissivos diante da conduta de homens no ambiente do futebol? Do jogador -a estrela máxima – ao árbitro auxiliar. Surfando entre o treinador e o preparador físico. Pulando as cadeiras de uma arquibancada lotada e chegando às redes sociais, o ambiente FUTEBOL é hostil, perigoso e ameaçador para corpos femininos.

Quando é que uma mulher se sentirá livre, sem se sentir outrora ameaçada e desprotegida, enxergando-se em seu reflexo no espelho, como um pedaço de carne?

O mundo é cruel para nós – permitindo-me incluir nisto, e não mais falar em terceira pessoa – sobretudo, no futebol.

Desde a repórter que na entrada ao vivo na TV, é beijada à força.

A narradora, que é contestada a cada partida, e obrigada a escutar comentários dos mais variados, como o simples e objetivo “isso não é coisa de mulher”.

A única mulher Presidente de um grande Clube no Brasil, rodeada por charutos, whisky, paletós, gravatas, deboche e termos pejorativos.

A árbitra oprimida e diminuída, entendida como um peixe fora d’água.

A torcedora assediada e desrespeitada, com seu caráter contestado, apenas por gostar de futebol.

Precisamos – todos – combater essa masculinidade agressiva no ambiente esportivo, para que pequenas práticas no dia-dia, não sejam mais normalizadas, e tratadas como verdadeiramente são: CRIME.

Para que futuramente, cheguemos ao patamar de ter a certeza de que crimes contra a mulher, sejam, de fato, hediondos e inafiançáveis para todos. Do motorista de aplicativo ao jogador de Copa do Mundo.

E isto, não é coisa de mulherzinha. É um pedido de socorro.

4 comentários em “O alto preço da masculinidade no futebol

  1. Texto que abrange tantas lutas diárias. Como disse, nós pedimos SOCORRO!

    Esse crime do Daniel mostrou quanto vale um crime absurdo desse e foi mais um em meio a tantos outros. Que tenhamos muita força.

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